Residência Agrária em Debate


Categoria: Acadêmico

É com muito prazer que apresentamos ao amplo público alguns dos melhores artigos que foram submetidos aos Grupos de Trabalho no Congresso dos Cursos de Especialização em Residência Agrária, realizado entre 10 a 14 de agosto de 2015, em Brasília, DF. Esse congresso avaliou a experiência realizada pelos 35 cursos de Especialização que ocorreram em diferentes universidades no país e contou com a presença de mais de 600 pessoas, no qual foram apresentados 294 trabalhos. A Residência Agrária foi uma iniciativa promovida pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (PRONERA/INCRA) em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), universidades federais, sindicatos de trabalhadores rurais e movimentos sociais populares do campo.

Os referidos cursos, bem como os artigos selecionados para comporem esta coleção, traduzem a diversidade de situações e modos de vida que caracterizam o campesinato brasileiro. É um campesinato que possui diferentes trajetórias relacionadas com nossa história de formação nacional, em que se geraram múltiplas identidades, com distintas relações com a cidade, o Estado e o mercado.

Como não havia uma grade curricular que orientava nacionalmente a construção desses cursos, cada um deles foi construído a partir das demandas negociadas entre representantes dos sindicatos rurais/movimentos sociais populares e pesquisadores(as) das universidades federais, o que fez com que os cursos tivessem particularidades específicas relacionadas com a diversidade de situações vivenciadas pelo campesinato brasileiro e pelos grupos de pesquisa nas universidades brasileiras. Um aspecto importante dos Cursos de Especialização foi o fato de que as turmas eram formadas por camponeses, técnicos que trabalhavam com extensão rural e estudantes de graduação em final de curso. Isso proporcionava uma rica interlocução entre diferentes trajetórias, experiências e saberes, estimulado pela pedagogia da alternância, na qual se intercalam tempos em sala de aula e tempos de voltar a viver nas comunidades de origem.

É importante destacar que se entende por campesinato todas as situações concretas que apontam para a existência de produtores no meio rural brasileiro vinculados a grupos familiares que constroem um modo de vida e uma forma de trabalhar tendo em vista o patrimônio familiar e os laços familiares e de vizinhança. É por referência a essas características que, para além das particularidades de cada situação específica e das múltiplas identidades nativas e/ou estimuladas pelo Estado, os consideramos como camponeses. Com esta coleção, nos cabe dar divulgação a um público mais amplo dos conhecimentos gerados na interface entre movimentos sociais e universidades públicas, pois trata-se de uma experiência em que essa aproximação procurou democratizar o acesso da pós-graduação em nível de especialização.

Pari passu à negação do reconhecimento desses setores sociais pela sociedade brasileira como importantes ao desenvolvimento econômico nacional e à desvalorização cultural, é um público que historicamente viu negado a condição de sujeitos de direitos na educação brasileira. Muitos dos conhecimentos produzidos nestes Cursos de Especialização em Residência Agrária foram inovações em sistemas de produção, práticas e técnicas variadas, a produção cultural e simbólica, além de reflexões que aprofundaram os conhecimentos sobre sua própria condição social e de relação com outros grupos sociais. Trata-se de inovações que têm a potencialidade de contribuir para a alteração das práticas sociais em nível microssociológico, percebidas nas trajetórias dos indivíduos e de suas comunidades. Uma pequena fração desse conhecimento agora fica materializada em formato de livro.

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